O Silêncio, a obstrução e a criação do mundo.

 

As festas de final de ano são invariavelmente o exercício do exagero.
Há sempre uma expectativa depositada no estouro do último champanhe.
E se o champanhe derramar, os excessos do ano que se finda, como um milagre, se dispersam na metáfora do líquido que escorre para fora da garrafa.

_ Feliz ano novo!!!!! Tim Tim!

Vou pedir a sua autorização para usar o transbordar do seu champanhe aproximando-o de uma antiga parábola budista que conta sobre a chegada de um viajante aventureiro muito empolgado e orgulhoso de suas conquistas, a um templo para conhecer o mestre.
Sua MOTIVAÇÃO:
O conhecimento. A sabedoria.
Após uma breve explicação, o mestre foi chamado e imediatamente conduziu o visitante ao centro do templo onde sentaram, entre eles, uma bandeja um bule de chá e uma xícara.
O mestre ouvia atentamente e começou a servir o chá para o viajante. Este por sua vez, falava sem parar sobre suas aventuras, suas experiências, suas conquistas e seus objetivos.
O mestre apenas ouvia e continuava servindo na mesma proporção que o aventureiro falava.
Mesmo falando intensamente, o viajante foi ficando incomodado com aquela cena e disse algumas vezes em voz baixa:
_ A xícara já está cheia. O senhor está desperdiçando o chá.
Como o mestre parecia não ouvir, o aventureiro o interrompeu dizendo vigorosamente;
_ Mestre me desculpe, mas a xícara já está cheia e o senhor está desperdiçando o chá.
O mestre olhou firme nos olhos do viajante e perguntou:
_Você que é viajado e já conheceu todas essas coisas que está me dizendo, me responda este enigma:
_quanto chá cabe em uma xícara cheia?
_Mestre, me desculpe, mas é óbvio que se colocarmos chá em uma xícara cheia, a única coisa possível é que ele transborde.
_Ótimo, disse o mestre, então agora me responda este outro enigma:
_O que é que você vai conseguir aprender aqui se chegou cheio de histórias para contar sobre seus conhecimentos e conquistas?
_como é que vai fazer para armazenar mais conhecimento se está transbordando?

Sob a perspectiva budista, essa parábola nos fala sobre o que uma MENTE é capaz de fazer quando ela não sabe o que está fazendo.
No ímpeto de sua busca, o aventureiro deixa de lado a motivação de sua viagem, desperdiçando uma grande oportunidade ao se colocar a frente do que o motivou, criando assim seu próprio obstáculo.

A parábola também alerta para a necessidade de estarmos atentos as nossas motivações e a abertos as oportunidades através do SILÊNCIO e da ATENÇÃO PLENA.

ATENÇÃO PLENA, nasce no cultivo do SILÊNCIO INTERIOR, regado por uma RESPIRAÇÃO CONSCIENTE.

Sob outra perspectiva, a perspectiva da Kriya Yoga, tudo o que existe sobre a terra é fruto da criação da mente humana, e portanto, a MENTE É A SUBSTÂNCIA DO MUNDO.

Se juntarmos a duas perspectivas, podemos dizer que a MENTE é o AGENTE CRIADOR de tudo o que existe sobre a terra e que a qualidade dessa criação está ligada a RESPIRAÇÃO CONSCIENTE que une a todos, gerando naturalmente uma REDE SISTÊMICA ligada pelo AR.

Assim, minha responsabilidade quando crio o meu mundo diz respeito a todos, e como sou parte de um SISTEMA, o resultado da minha criação afeta a todos indistintamente, além de afetar a mim mesmo de duas maneiras, a primeira quando eu crio, e a segunda quando eu recebo de volta aquilo que criei e o sistema está naturalmente me devolvendo.

Dessa forma, se sua respiração e o ar que você respira, são as bases do fundamento que determina o mundo em que você vive;
Será que este mundo em é o resultado da criação da sua mente?

Ou será que sua taça está apenas transbordando deixando para trás, sua MOTIVAÇÃO, sua MENTE, sua CONSCIÊNCIA, sua RESPIRAÇÃO, seu SILÊNCIO e consequentemente o seu ANO NOVO?

-Tim! Tim!

 

Esta é uma prática meditativa de amor incondicional para que você estabeleça um conexão auspiciosa com todos os seres vivos.

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